Terapia Literária - Funciona!

Vou confessar uma coisa: eu roubo livros. Sem o drama da Liesel Meminger, veja bem. A minha cleptomania é bem menos infundada e muito + divertida: eu roubo livros simplesmente pq quero viver todas as histórias do mundo. Já que por onde passo deixo um pouco de mim, devo levar um pouco do lugar em troca. Justo, não? As vezes confesso o crime ao anfitrião, menos por culpa do que por medo de ser pega.


Prometo ler e devolver o dito cujo intacto, com um sorriso tão sincero quanto mentiroso: um livro que cai em minhas mãos nunca + é o mesmo. Vira diário não oficial de uma paixão platônica por personagens que podem ser irreais, mas que me causam sensações tão ou mais verdadeiras que muita gente. No fundo, rapazes, não namoro nenhum de vocês porque já sou comprometida com a minha imaginação. De tanto risca-rabisca, outro dia me peguei pensando como a gente adora uma “mentira” que nos convence da verdade. Mentiras que nos fazem acreditar, mentiras que tornam nossas próprias misérias mais suportáveis,mentiras que são a base primeira da Literatura, confere Vargas Llosa? Mentiras que viram metáforas da vida real e nos ajudam a entender + as pessoas e a nós mesmos. Fato: Literatura é forma de terapia.

E tem pra todas as neuroses. Aos angustiados recomendo a beleza da literatura francesa: a leveza da Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, ou o humor ácido de Voltaire em Zadig. Se o problema é coração partido, o melhor meio de curar do amor é meter-lhe brios o amor próprio: vá de Cortesãs e Favoritas, de Kock, ou A cura de Schopenhauer, de Yalom: o assunto aqui é morte, mas funciona pra enterrar defuntos que não desaparecem da superfície.

Por favor, esqueçam temporariamente Chicos e Machados – a ferida fica anestesiada na hora mas, depois, é hemorragia na certa. Pra quem vive uma grande história de amor (eterna como Adão e velha como o céu), sugiro o clássico: Noite de Reis, de Shakespeare. Por fim, pra quem anda sofrendo de tédio,um encontro com meus russos favoritos,que tal?Não estou falando de Beluga e Stolichnaya (que também têm estimado valor) mas de Irmãos KaramazovDostoievski e Fala MemóriaNabokov. Meus sinceros desejos que vcs sejam pegos em flagrante delito de admiração pela vida.